Água 16% mais cara no Distrito federal - Correio do Síndico

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31 de janeiro de 2015

Água 16% mais cara no Distrito federal

A alta dos preços administrados  pelo governo será ainda mais sentida pelo brasiliense. Além dos aumentos na conta de luz e nas bombas de combustíveis, a fatura de água virá mais cara para o bolso do consumidor. A Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) publicou ontem, no Diário Oficial do DF, resolução que fixa reajuste de 16,2% dos valores das tarifas dos serviços públicos de abastecimento e de esgoto. A nova taxa, que passa a valer a partir de 1º de março, por 15 meses, é a maior em 10 anos.

Para chegar ao cálculo, a Adasa considerou a inflação oficial do último ano, de 6,41%, o bônus-desconto para os que gastaram menos água, os investimentos realizados de 2008 a 2014 pela estatal de saneamento (Caesb) e o custo que a concessionária teve para fazer o levantamento dos ativos. Com o avanço tarifário, o DF tem, até agora, a tarifa média mais cara do país.

A variação de 24% da tarifa no acumulado dos últimos dois anos deixa a capital federal com tarifa média de R$ 4,64 por mil litros. Em 2013, segundo estudo da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA), do Ministério das Cidades, o custo da taxa média de água no DF era de R$ 3,73, atrás apenas do Amazonas, onde a taxa era de R$ 3,75, e do Rio Grande do Sul, que detinha a tarifa de R$ 4,18.

Contudo, em julho, a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), que atende 320 dos 497 municípios gaúchos, deve promover nova alta. Bastaria só uma elevação de 4,7% para o DF cair de posição. O aumento, entretanto, foi abaixo da proposta apresentada pela Caesb. A estatal alegou que, para “manter a garantia e a qualidade dos serviços prestados, além de assegurar a manutenção de custos”, seria necessária correção de 23,97%. Para o ano que vem, contudo, o reajuste poderá ser aplicado muito próximo da recomendação da concessionária. 

Repasse
Pelo ajuste tarifário, os consumidores enquadrados na tarifa popular que usarem até 10 mil litros de água por mês vão pagar R$ 19,30. Os que se encontram na tarifa normal vão desembolsar R$ 25,80. Quem consumir mais de 50 mil litros pagará R$ 119,50. Receosa em relação ao orçamento familiar, a professora Inácia Rosilene, 36 anos, está comemorando a volta às aulas. Não por saudade de lecionar, mas porque, com o filho de cinco anos na escola, vai economizar nos gastos no lar. “Geralmente a água aumenta pouco, mas, desta vez, vai ser absurdo. Tudo está aumentando, e não tem para onde correr”, reclamou ela, que já pensa em lavar roupas com menos frequência e reduzir o tempo no banho.

Para atividades comerciais, públicas e industriais, as tarifas irão de R$ 65,50 por até 10 mil litros utilizados. Acima desse consumo, indústrias pagarão R$ 98,70 e varejo, R$ 108,20. O aumento já preocupa Alexandre Alves, dono de um lava-jato, que ainda estuda se vai repassar o aumento com o custo à prestação do serviço. “Meu reservatório é abastecido com caminhões- pipa. Não pago diretamente à Caesb, mas se meus fornecedores aumentarem, não vou ter outra escolha”, lamentou. Para amenizar o impacto, ele construiu, em novembro passado, um sistema de captação de água da chuva. “Faço o possível para não reajustar meus preços”, garantiu, orgulhoso, ao lado do equipamento.

Diante dos novos valores, Luiz Gonzaga, 47 anos, síndico de um prédio residencial na Asa Norte garantiu que o aumento da conta de água será repassado aos moradores na taxa de condomínio. “Não tem como segurar”, sentenciou. Na tentativa de amenizar as despesas com o insumo, Gonzaga instalou um sistema de coleta de água da chuva.

Em julho último, quando o reservatório ainda não estava cheio, a conta de água foi de R$ 9.721,06, o que levou cada um dos 95 moradores do edifício a pagarem R$ 102,32. Em dezembro, após período chuvoso, a conta abaixou para R$ 4.306,80, menos da metade, o que correspondeu a R$ 45,33 para cada residência. “Agora, é torcer para que o tempo ajude”, disse. 




Como ficarão as faturas
Preços válidos entre 1º de março de 2015 e 31 de maio de 2016

Para as residências

Faixa de consumo Tarifa popular Tarifa normal
(em mil litros) (em R$) (em R$)
0 a 10 19,3 25,8
11 a 15 36,1 47,9
16 a 25 47,3 61,2
26 a 35 90,4 98,9
36 a 50 109,1 109,1
Acima de 50 119,5 119,5

Para atividades comerciais, públicas e industriais

Faixa de consumo Tarifa comercial Tarifa industrial
(em mil litros) e pública (em R$) (em R$)
0 a 10 65,5 65,5
Acima de 10 108,2 98,7

Histórico dos reajustes no DF
Na maioria dos anos, o aumento superou a inflação

Ano Reajuste IPCA ao ano
aplicado (em %) anterior (em %)
2005 27,54 7,39
2006 14,87 5,51
2007 2,97 3,02
2008 5,78 4,66
2009 6,29 5,77
2010 4,31 4,31
2011 7,23 5,91
2012 11,20 6,50
2013 9,50 5,84
2014 7,39 5,91
2015 16,20 6,41
Fontes: Adasa e IBGE


Equilíbrio e escassez
Em 1º de junho de 2016, a Adasa fará revisão tarifária, que, além da inflação e dos investimentos realizados, vai acrescentar novos custos adicionais, como variação salarial de servidores e gastos com equipamentos. O presidente da agência, Vinicius Benevides, garantiu, contudo, que o reajuste poderá ser até negativo. “Os aumentos são obrigatórios pelo contrato de concessão. Se não é feito, a empresa perde equilíbrio econômico e pode atrasar investimentos e faltar água”, argumentou. Segundo ele, a capital tem uma das menores quantidades de água por habitante, mas, apesar das dificuldades, há garantia de “qualidade e quantidade”. Benevides ressaltou que a Adasa mantém constante empenho para garantir o direito do usuário de receber um bom serviço pagando tarifa adequada, bem como sustentar o equilíbrio econômico-financeiro da Caesb.